Nem tudo é tão ruim que não possa piorar

24 01 2010

A nossa vida é rodeada de formalidades. Por favor, obrigado, com licença, e tantas outras normas nos foram impostas para que possamos ter uma boa relação com quem está a nossa volta. Mas será que é isso mesmo que queremos dizer? Por que simplesmente não expressamos o que estamos pensando e tornamos as nossas vidas no mínimo mais sinceras?

Já percebeu que o dia em que você está com mais pressa que o normal, é quando põe os malditos caixas em treinamento no mercado? Não que eles não possam estar em treinamento, mas tinha logo que ser naquela hora?!  Só pode ser ironia, pois quando eles vem que você está puto mesmo, eles perguntam “Encontrou tudo que procurava?”. Enquanto você está louco pra dizer “Até a vaca da sua mãe no açougue!”, você diz um singelo “Sim” com um sorriso sarcástico no rosto. Sem falar no fato dele não saber o código de no mínimo três dos seus produtos, então ele chama sua superior que acredito que estava diante do trono no banheiro, pelo tempo de demora até o pedido do caixa, o que toma cerca de cinco minutos (cada produto). Então quando já está tudo passado, a nota pronta para sem impressa, você com tudo ensacolado e com o dinheiro na mão pronto para pagar e cair fora daquele lugar, ele ainda tem a audácia de perguntar “Mais alguma coisa?”. Por acaso ele não viu que você está com pressa? Não, isso é sarcasmo do maldito caixa que quer ferrar a sua vida. Em vem de mandar o caixa para lugares pouco casuais, você diz um calmo “Não”, pega suas compras e vai para seu carro, onde sai meio apressado para assistir um filme novo que você deixou baixando pelo Torrent em casa.

Definitivamente o mundo está contra você. Das cinco sinaleiras que tem da sua casa até o mercado, quatro estavam fechadas e uma quebrada, onde tinha um guarda de trânsito que parava os carros para deixar atravessar qualquer pessoa que estivesse a no mínimo vinte metros dele. É claro que você está com pressa. Muita pressa. Mas não é por isso que você vai correr no trânsito, afinal, você que ir pra casa, não para o hospital. E quando você está pronto para chegar em casa e estacionar o seu carro o que você vê? Exatamente. Um maldito Uno branco na sua vaga. Mas como isso é possível? De onde saiu aquela porcaria branca sobre quatro rodas? Quem é dono desse troço? Por acaso ele não viu o número do seu apartamento bem grande em frente à sua vaga? E após uns cinco minutos de especulação, vem um sujeitinho descendo as escadas com uma cara deslavada argumentando “Desculpa aí, eu só vim rapidinho entregar um pacote para o seu vizinho deporta, e ele falou que não tinha problema de deixar o carro na sua vaga um pouquinho”. Você está louco para dizer umas verdades para aquele vagabundo do Uno, mas para evitar uma troca de palavras, ou até uma de socos, você diz apenas um “Tudo bem”, para que o sujeito tome seu rumo de uma vez.

Ao chegar ao seu apartamento com suas compras, no momento em que fecha a porta seu vizinho toca a campainha. Apesar de todas as formalidades existentes, vizinho é o único ser que não respeita nenhuma delas. Então ele vem com a maior das histórias do mundo para pedir uma xícara de açúcar emprestada. Não seria problema nenhum, se ele não fizesse isso toda semana e nunca devolvendo o que pedia “emprestado”. Enquanto você está pronto para dizer “Quer açúcar? Tem no mesmo lugar onde eu comprei. E da próxima vez que ficar com música alta até as três horas da madrugada, eu vou te enfiar a mão na fuça!”, você respira e diz “Pode pegar”, para que aquilo não se estenda por muito tempo. E após o incomodo ter voltado para sua casa, e as devidas compras guardadas, você vai até o seu computador e vê que seu filme está em 96%, e que a sua internet caiu. Nesse momento, o que já era um dia ruim, tinha tornado-se dez vezes pior.  O que fazer nessa hora além de xingar qualquer coisa que estiver por perto? Ligar para seu serviço de internet, é claro.

Esse eu diria que é o processo que é o verdadeiro teste de paciência. É o topo. Se você conseguir desligar o telefone ser ter aumentado seu tom de voz com quem está do outro lado da linha nem uma vez, você realmente é uma pessoa que tem controle sobre as suas emoções. E a jornada começa. O telefone “chora” por alguns instantes e a atendente eletrônica conversa com você, com aquele velho sistema de apertar números de acordo com a sua necessidade. Você como quer seu problema resolvido logo, e seu saco já está chegando ao fim, resolve falar com uma atendente de uma vez. Você não quer nada de mais, só quer saber por que a sua internet caiu, e quer que ela volte. E quer isso com praticidade e rapidez (o que todo mundo sonha), mas parece que a pessoa que está do outro lado não quer ajudar. Parece que eles querem ver você muito puto, e normalmente eles tem êxito nisso. Afinal, quem nunca ligou para sua rede de TV, internet ou banco? Ou se não aqueles malditos bancários que te ligam no momento mais indevido do dia para oferecer promoções que você já teria procurado se estivesse interessado. Enfim, você quer ver o seu filme e a pessoa do outro lado faz perguntas como se você fosse um chipanzé usando um computador. Ela faz perguntas do tipo “Você está vendo uma luzinha acesa na sua CPU?”. A resposta que você queria dar era “É claro que vejo luzinha aqui, alias, vejo várias luzinhas aqui, ou você acha que essa porra só tem uma luzinha pra tudo?”, mas o que você diz é mias um “Sim”. Afinal, por que esse atendente dos diabos subestima a pessoa atendida? Ele acha que só porque você ligou você depende das explicações nível maternal dele? Então você vê que em certas situações da vida, toda a boa educação e formalidades existentes não funcionam absolutamente para nada, só para prolongar o seu sofrimento. Quando tudo isso vem à sua cabeça, você já está uma pilha de nervos e larga um “Liga duma vez essa merda dessa internet e deixa eu ver a porra do filme que eu to baixando, seu filho duma…”. o Atendente muito compreensivo diz que vai ver o que pode fazer, e que em alguns minutos a internet voltará, e você sabe que isso não é verdade. Quando tudo parece encerrado você pede o nome do atendente, ele é obrigado a dar. “Odinei”. Pronto, agora você tem um trunfo, e esse cara sabe que você vai pentelhar ele até a morte se a sua internet não voltar.

Sua internet acabou de voltar, e seu filme estará com seu download completo em dez minutos. Tempo suficiente para você preparar uma pipoca, pegar um refrigerante gelado e arrumar a sua poltrona mais confortável para curtir a sua mais nova aquisição. Dez minutos se passam e você já está ansioso para ver o tão merecido filme. Depois de momentos difíceis durante o dia, você quer agora sentar e relaxar diante da tela curtindo toda aquela ação que um bom filme tem a oferecer. É uma conquista, afinal, é um filme que nem saiu nos cinemas ainda. Mas… Quando tudo parecia resolvido vem a surpresa. Seu filme veio com o áudio em russo. É, meu amigo… O que eu tenho a dizer sobre isso? A vida é uma verdadeira cretina. Esteja preparado para ela, pois dias piores virão. Pode acreditar.

Lucas da Rosa

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One response

30 01 2010
'jaapa .

cara, nunca mais reclamo dos meus dias. Pobre situação do vivente citado no seu post =/ sinto pena dele. GEIOYAEHIAUO’ continuem a postar ^^

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