Parabéns para quem?

29 09 2010

Aniversário. Afinal, o que é o aniversário? Por que todos os presentes? Por que todas parabenizações? Por que a festa, a pizza, o churrasco e bebida? Merece-se no máximo os parabéns por estar vivo até tal momento, pois nascer não é escolha para ninguém. Você estava em um lugar tranquilo e sem problemas, apenas comendo, dormindo e talvez brincando de dar socos e ponta pés naquelas estranhas paredes que tinha a volta.

Eis que então você se vê sendo puxado pelas mãos de um estranho, e saindo daquele lugar maravilhoso e protegido, aparece em um lugar estranho, frio, claro de mais. Além de tudo isso cortam sua fonte de alimento. As grosseiras na sua vida começam por aí. Aí enrolam-no em um pano e colocam na parte superior do lugar onde antes você estava dentro. É como estar pelado em um quarto com ar condicionado e sair para o vento frio no terraço de casa apenas coberto por um lençol.

Ninguém falou que seria fácil. E daí pra frente a coisa só piora. Tem que começar a andar sozinho, comer sozinho e até mesmo ir ao banheiro sozinho [o que é uma tarefa nada fácil até pegar o jeito, aliás, conheço algumas pessoas que não pegaram o jeito até hoje. Escola, trabalho, aniversário da tia gorda da namorada e outras atividades mais são o que realmente fazem uma pessoa merecer os parabéns após ter passado por elas, porque essas sim envolvem empenho, tempo, dinheiro e paciência. Principalmente paciência.

Quem deveria ser parabenizado por aniversários são os pais, que há x anos criam seus filhos e aguentam esses pedindo dinheiro todo final de semana para irem para algum lugar que os mesmos pais não sabem onde é, e que por mais que saibam, sabem que os filhos nunca vão para esses lugares, justamente porque os pais sabem onde é.

Fazem isso há anos. Há realmente muitos anos. Fico me perguntando quem foi o primeiro a fazer isso. Será que foi em uma caverna, quando nasceu um primatinha e todos os peludos locais ficaram felizes que teriam mais companhia naquele período escasso de gente? Se for assim, deve-se ficar triste a cada nascimento, visto que o planeta está cada vez mais cheio.

As pessoas (e especialmente os brasileiros) são pragas que não podem ver algo novo que já resolvem enfiar seus narizes para deixarem as coisas do seu jeito. Foi assim desde o começo, tirando as áreas dos outros animais e botando suas cabanas de palha de pé, e é assim até hoje, quando continuamos esse processo só trocando as cabanas de palha por fábricas e indústrias de cosméticos.

Mas o parabéns… Ele não faz muito sentido, mesmo. Acredito que inventaram isso só pra não dar o presente sem falar nada, oque seria muito grosso da parte de quem entrega. Falar um simples “Toma” e ir direto para os salgadinhos não torna o dia do aniversariante especial, por mais realmente não seja um dia especial.

No final, fazer aniversário é simplesmente lembrar que uma hora o Dona Morte vem. Tarda, mas não falha. E fazer festa para lembrar que um dia se morre e que lá não tem festas tão boas quanto aqui é um bom motivo para fazer uma boa festa por aqui mesmo. Com coisas bastantes estranhas como velas para serem assopradas e strippers saindo de dentro de bolos, as festas de aniversário são e sempre serão uma surpresa tanto para o homenageado, quanto para seus participantes, que verão coisas que nem em seus sonhos esperavam ver das pessoas que estão lá e muitas vezes de pessoas que nunca viram na vida e provavelmente nunca mais verão que só deram uma passadinha ali de furo para comer alguma coisa.

Lucas da Rosa





Frase do dia

29 09 2010

“Uma laranja podre estraga todo o cacho.” (J. Batista)





Confiança e um livro na multidão

11 09 2010

Confiança definitivamente não é algo tão simples quanto eu pensava ser. Aliás, é uma das coisas mais complexas que eu já vi. Ela envolve amor e medo ao mesmo tempo. O amor está no ato de deixar que o outro tenha sua liberdade, e ao mesmo tempo o medo de que tudo seja jogado ao vento. Me castigo com a minha mente pensando em todas possibilidades possíveis.

Sempre tive o hábito de ser uma espécie de observador, vendo as interações das pessoas como um mero espectador. Confesso que o ponto de vista exterior é sempre mais favorável, uma vez que pode-se observar os lados em questão com mais clareza. Essa posição se torna completamente obsoleta quando somos nós que estamos envolvidos no caso em questão.

Vendo tantos casos diferentes, mas sempre com suas semelhanças, achava que isso me ajudaria quando fosse comigo. Não posso dizer que tais observações não ajudaram, pois alguma coisa se absorve como experiência, mas no geral, acredito que eu aja como aqueles que analisava, e no fim me tornei apenas mais um caso daqueles que eu observava com tanta vontade de analisar. O problema é que eu não consigo ter aquela posição onisciente do meu caso, é difícil saber o outro lado, e mesmo que saiba, é difícil deixar que os pensamentos não interfiram e o pior seja imaginado.

O estranho é que de certa forma, eu sempre imaginei a vida como sendo um grande livro, que é lido no final de tudo. E como leitor, eu não gostaria de ler um livro chato, sem graça, sem emoção, sem um diferencial. Eu sempre gostei de livros com um diferencial, e acho que isso é algo que deve estar presente na nossa existência, para que possamos chegar ao final de tudo sabendo que não tivemos uma vivência sem algo especial. Sempre li obas não tão convencionais como O Guia do Mochileiro das Galáxias, que te faz viajar pelo universo de uma maneira nunca vista e isso, acreditando, ou não, faz-te ver o mundo de uma maneira diferente.

Ver o mundo de uma maneira diferente. Essa parte até que não é difícil. O difícil é tratar o mundo de uma maneia diferente. Não ser convencional é o que considero o atrativo. Mas o não convencional fora das convencionalidades, que muitas pessoas insistem em não ver. É muito fácil ser diferente nas ações iguais. O interessante é ser único nas ações diferentes. E isso envolve desde os pensamentos mais complexos, até os mais simples, que usamos todos os dias.

Quando falo de pensamentos simples, trato dos princípios mais básicos das relações humanas, como a confiança, tratada no início deste artigo. E aí se encontra o desafio. Tratar essa de uma maneira como as pessoas não tratam. Elas dizem tratar, mas não saem das palavras. No final a maioria faz a mesma coisa, que é ignorar tudo e vivem na desconfiança. Elas optam pela opção mais fácil, pois confiar, como eu já disse (e se não disse, digo agora), confiança é algo muito complexo.

Não posso me precipitar. Sempre fui contra isso, e não posso me contrariar. O tempo fará as ações, os pensamentos e as palavras se ajeitarem. Mas não que esse jeito que ele dê seja da maneira mais fácil. Não queria ser assim, mas até atingir a real confiança, viverei na minha desconfiança, como a maioria das pessoas. Buscando a inconvencionalidade, me torno apenas mais um na multidão, afinal, ou se é diferente, ou se é mais um.

Lucas da Rosa





Frase do dia

11 09 2010

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação.” (Charles Chaplin)





Visão, pensamento, eleição

3 09 2010

Eu pensando aqui comigo… Por que as pessoas insistem em não enxergar? Mesmo com os fatos diante dos olhos, elas não veem. É uma acomodação que impede até a mobilização para tratar dos próprios problemas. Pessoas sem uma boa moradia, sem um saneamento básico… E por quê? Lamentam-se por não terem boas condições, mas nada além disso. E os movimentos sociais? Associações? A mobilização? Pessoas tem direitos, e estes devem ser cobrados. Temos a constituição mais completa do mundo (tão completa que há artigos que se contradizem), e lá está que cidadãos têm uma variedade de vantagens, que na maioria das vezes não são concedidas, se não cobradas.

Esses tempos fiz um trabalho no colégio em que fiz uma crítica a forma de como os três poderes são exercidos no Brasil, mas não foi um trabalho tão comum. Primeiramente fiz o que a maioria das pessoas faz: criticar. Mas aí vem o diferencial: propor soluções. Esse foi o real desafio da avaliação. É muito fácil fazer o que fazem, que é criticar e dizer que tudo não está bom, mas propor mudanças é uma tarefa árdua que exige muita ponderação. E após a pesquisa, percebe-se que as principais mudanças que devem ocorrer não ocorrem porque quem tem mais posses não quer abrir mão delas para que outros possam emergir.

Pensamento facilmente justificável, afinal, com o pensamento contemporâneo, quem daria parte dos seus bens aos outros? Pelo contrário, sempre se quer muito mais, não importando se tirará de alguém que necessita mais. Nesse ponto entra a questão governamental. Tirar a renda da população para tirar proveito próprio é algo brutal e presente no cotidiano do brasileiro. Seja desvio de verbas, dinheiro enfiado nas mais inusitados lugares e até mesmo o uso indevido de cartões corporativos são atos que estão tirando o dinheiro da camada popular que muitas das vezes precisa de tal dinheiro para ter uma qualidade de vida melhor.

Mas para que fazer a camada popular ter uma vida melhor? Uma vida miserável para eles é muito mais vantajosa. Manipular a esperança deles de ter uma vida melhor para conseguir votos é algo bem conveniente, principalmente para políticos em épocas de eleições.

Falando em eleições, já sabem em quem vão votar? Muito bem, mas sabem quem realmente são as pessoas em que vão votar? Que não vão com o pensamento de ir no dia da votação e votar em “Fulano”, só por que ele falou na TV que trará progresso, ou porque passou na sua rua falando coisas legais e distribuindo alguma coisas mais legais ainda. Saiba do seu passado, para ver se realmente é capacitado para exercer a função que está disposto,e após isso analise suas propostas e veja se realmente são plausíveis. Esse é o chamado voto consciente, que tanto se fala (ou não).

Em suma, digo que as pessoas devem começar a prestar atenção na sua realidade e cobrarem o que realmente têm direito. E nos tempos de eleição em que estamos, devem estar atentos para o tipo de gente que estão botando no poder para representá-los. Só ficar reclamando não adianta de nada. Afinal, como disse Rosseau, “O povo tem o governo que merece.”

Lucas da Rosa





Frase do dia

3 09 2010

“Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.” (Ronald Reagan)





A bolha

2 09 2010

O sistema é algo tão complexo que não exclui ninguém. Não exclui ninguém, porque precisa de vidas para manipular e para existir. Tal sistema usa a fraqueza do ser humano que diz respeito a sua necessidade de se relacionar, e sua fraqueza de espírito, permitindo que as pessoas, de mente aberta, recebam informações saturadas e valores falsos, que servem apenas para suprir as ambições de quem manipula. Acham ótimo sentar em um sofá e assistir a novelas, seriados e até mesmo jornais, mas não percebem que suas mentes cada vez mais perdem autonomia, enquanto suas crenças são substituídas por aquelas que querem que tenham.

A falta de visão e senso crítico faz com que as pessoas apenas aceitem o que veem, sem se importar com aquilo que realmente é importante. Essa fraqueza faz com que as pessoas vivam em “bolhas”, com visão limitada ao que a televisão e os meios de comunicação mostram. Não é uma questão de enxergar nas entrelinhas, mas é uma questão de ver o mundo na sua verdadeira forma, como ele realmente é.

Até mesmo aqueles que acham ter visão de mundo, não conseguem escapar dessa teia que prende cada um. Ver os problemas dos outros e se achar superior por não estar passando por tais conflitos, é ser tão inferior, ou mais, do que aquele com empecilhos. Ninguém é diferente de fato. O que torna as pessoas particulares é o fato de terem acordado para a realidade, nem que seja um pouco, ou não.

Lucas da Rosa