Um breve conto

23 04 2013

Certa vez um homem dono de muitas terras e com as mais avançadas técnicas de produção anda pela estrada com suas charretes, levando sua produção para ser usada no seu restaurante da cidade, quando parou ao ver um senhor com cerca de 80 anos, já muito curvado e com o rosto mostrando as marcas do tempo. Foi uma vida dura. Ele tinha mãos trêmulas com dedos longos e muito calejados. Carregava uma enxada no seu ombro e isso foi o que chamou a atenção do rico comerciante. Quando percebeu que o senhor carregava um cesto com alguns legumes na sua mão, sentiu-se obrigado a perguntar:

– Meu bom senhor, já és um homem de idade, por que cultivas nesse quintal tão pouco produtivo, com legumes tão pequenos, sendo que podes ir à cidade consumir dos meus belos pratos?

O senhor ergueu seus olhos para poder alcançar aquele homem jovem que se posicionava altivamente no topo da sua charrete:

– Para que serve o que ganhas com tamanha produção?

Surpreso com a pergunta o jovem responde:

– Dinheiro! Bens! O meu restaurante foi do meu pai, que me encarregou de continuar os negócios e hoje é um dos mais conceituados da cidade inteira! O que ganho serve para pagar minhas contas, comprar mais terras e possuir uma vida cada vez mais luxuosa e para minha exigente mulher, que era modelo.

O senhor suspira profundamente e diz:

– Por isso produzo no meu quintal tão pouco produtivo. Quando se produz algo com seu próprio esforço e sabendo com que intenções foram feitas, por mais que não seja da melhor qualidade possível, é muito mais apreciado do que algum fruto de outra pessoa. Sou um homem que já está chegando ao final da minha existência, e quando começamos a notar o que realmente vale na vida, vemos que no fim o dinheiro se rasga, as casas desmoronam, os bens se perdem, e o que levamos conosco são as ações, os pensamentos e as intenções com que fizemos tudo durante todo o tempo em que somos vivos.

Então o senhor baixou seu olhar novamente e dirigiu-se ao seu casebre, deixando com que o silêncio se encarregasse de fazer o homem à frente de toda sua enorme produção absorver aquele simples desabafo.

Depois desse dia o dono do restaurante não fechou o seu negócio, nem demitiu seus inúmeros funcionários. Não se desfez do seu dinheiro, nem da sua luxuosa casa. A conversa daquele homem velho era absurda no seu ver. Para ele, possuía tudo que precisava. Tinha luxo, conforto, conceito e uma mulher muito bonita. Não se importava com mentiras, exploração, traição e trapaças; isso faz parte da vida. Aquilo tudo não passou de um velho falando coisas que os velhos costumam dizer.

 

Lucas S. da Rosa

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